Operação mobiliza equipes e cumpre dezenas de mandados

Foto: PC • Divulgação

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), uma operação batizada de Eixo para cumprir 96 mandados judiciais contra uma complexa organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de capitais.

São 40 mandados de prisão temporária e 56 buscas e apreensões, além da decretação de indisponibilidade de bens de 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e de bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, sequestro de veículos e de três imóveis e bloqueio de criptoativos.

Até o momento, 34 pessoas foram presas, incluindo cinco em flagrante. Foram apreendidos porções de maconha e ecstasy, três de armas de fogo, R$ 60 mil em espécie, R$ 50 mil em criptomoedas e cinco veículos de luxo.

As medidas são cumpridas por 200 policiais no DF e nos estados de Goiás, São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A investigação é da Draco (Delegacia de Combate ao Crime Organizado).

A investigação, iniciada em 2024, revelou a existência de uma estrutura criminosa sofisticada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de valores ilícitos por meio de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro.

Os elementos reunidos apontam a atuação, no DF, de núcleos ligados a facções criminosas do Rio de Janeiro, em contexto de articulação criminosa interestadual com reflexos na capital federal.

Esta conexão ficou clara quando a polícia identificou a viagem de três dos investigados do DF para uma comunidade do Rio de Janeiro para treinamento no uso de armas de grosso calibre, como fuzis.

Segundo a polícia, as apurações identificaram a existência de dois núcleos centrais de atuação no Distrito Federal, ligados a grupos criminosos rivais. Um dos principais investigados exercia papel relevante na logística de remessa de drogas de outros estados para abastecimento do “mercado” local.

Eixos do crime

No eixo financeiro, a investigação revelou um mecanismo estruturado de lavagem de dinheiro, com emprego de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação.

Foram identificadas pessoas jurídicas de curta duração e sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Houve, ainda, pulverização de recursos por transferências em valores padronizados, uso de plataformas de criptoativos e saques massivos em espécie, expediente voltado a dificultar o rastreamento patrimonial e a atuação dos mecanismos oficiais de controle. Apenas uma das contas investigadas, como exemplo, registrou movimentação superior a R$ 79 milhões em curto período.

Estrangeiros

As apurações também alcançaram investigados estrangeiros apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística vinculada aos núcleos criminosos apurados. Entre os alvos, há dois cidadãos colombianos e um venezuelano.

Um dos colombianos já havia sido investigado pela Polícia Federal por sua atuação no núcleo de lavagem de dinheiro no estado do Amazonas de facção criminosa originária do Rio de Janeiro, encontrava-se em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha.

O outro colombiano também se encontra preso em seu país de origem. O alvo venezuelano está localizado em Santa Catarina. Todos aparecem, em graus distintos, inseridos na dinâmica operacional do grupo.

Fonte: CNN