Celina Schinen foi diagnosticada com mieloma múltiplo, um câncer considerado incurável, em outubro de 2024. Após quimioterapia e transplante de medula óssea, a doença voltou cerca de um ano depois. A médica indicou a terapia CAR-T, mas o plano de saúde negou o tratamento, levando Celina a recorrer à Justiça. A autorização foi concedida e ela recebeu a terapia.
A CAR-T utiliza células de defesa do próprio paciente, os linfócitos T, que são modificadas geneticamente em laboratório para reconhecer e destruir células cancerígenas. No mieloma múltiplo, o principal alvo é a proteína BCMA. O processo envolve coleta das células, envio para laboratórios no exterior, reprogramação, multiplicação e posterior reinfusão no paciente.
Especialistas explicam que a terapia pode provocar efeitos graves, como síndrome de liberação de citocinas e alterações neurológicas, o que exige acompanhamento e internação após a aplicação.
No Brasil, o acesso à CAR-T enfrenta obstáculos regulatórios e jurídicos. A terapia ainda não está no rol de cobertura obrigatória da ANS, e muitos pacientes recorrem à Justiça para conseguir o tratamento. Segundo especialistas citados na reportagem, uma aplicação custa cerca de R$ 3 milhões apenas pelo produto e pode chegar a R$ 4 milhões com internação e cuidados médicos.
A CAR-T já apresenta resultados importantes em alguns cânceres do sangue, mas ainda é limitada a doenças que possuem alvos específicos. Pesquisadores também estudam seu uso contra tumores sólidos e doenças autoimunes graves.
Karoline
Foto: Arquivo Pessoal

0 Comentários